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Finnegans Wake; Leitura coletiva do Finnegans Wake
Topic Started: May 25 2011, 11:14 PM (2,970 Views)
Mavericco
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Nel mezzo del cammin
[ *  * ]
(62)
Junto do duro portico, e da entrada
Do negro inferno, o pranto inerte assiste,
Tem a dor vingativa sua morada,
A Doença pallida, a Velhice triste:
O Medo, e a Fome mal aconselhada,
E tambem a pobreza torpe existe,
Visões terriveis, e da mesma sorte,
Com o improbo Trabalho, a fria Morte.

(63)
Mas aqui o Somno está, parente estreito
Da Morte, e os Gostos vão do pensamento,
Defronte a mortal guerra, e o ferreo leito
De Eumenides tem o proprio assento;
A discordia feroz, e sem respeito,
Pôz a par dellas seu alojamento,
Os cabelos de viboras furiosas
Apartadas com iras sanguinosas


(Canto VI da Eneida, trad. João Franco Barreto)
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Deckard
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Tive um pequeno tropeço aqui no acompanhamento, mas já estou novamente em dia! Ao menos isso já serviu para me deixar alerta de que com a complexidade própria do livro e com o volume de comentários de vocês, um tropeço mais à frente pode ser terminal... Melhor andar na linha.

Li a introdução da minha edição, feita pelo Seamus Deane, e meu interesse pelo livro foi insuflado. Verdade, como disse o Poirot, que as coisas ainda estão muito nebulosas, a ponto de até um comentário crítico sobre o livro ser difícil de entender. Por exemplo, existe no Deane essa apresentação sucinta dos personagens, que parece compreensível, ok, mas logo seguem-se referências a diversas outras cenas, com outros personagens, tratando de outras coisas aparentemente diferentes, como a história da Irlanda, o que volta a levantar a confusão... De qualquer maneira, a introdução é suficiente para vislumbrar que o Joyce tinha um projeto de proporções colossais, daqueles que mesmo que a gente não compreenda ou com que não concorde, já sente que é algo que vale ouvir com mais cuidado.

Sobre a estrutura, acho que o Deane comenta algo interessante (embora provavelmente óbvia para todos os conhecedores do FW):

Seamus Deane
 

The structure of the Wake is complex although it is based on simple principles. There is one abiding story, that of the Fall, which is repeated over and over again; there is one abiding dispute which in effect involves two questions - What was the Fall? and What were, or are, its consequences?


No mais, acho que não tenho muito a acrescentar à apresentação do Mavericco e aos demais comentários. Só teve uma parte...

Mavericco
 

Em determinada parte o Earwicker é jogado dentro da ALP como punição de seu crime que ninguém sabe qual é. Isto em si já é um grande paralelo... Visto que a linha base de todo o sonho é o Earwicker (afinal de contas, ele é o eu do sonho; e não existem sonhos sem o eu do sonho).


... duas, na verdade, em que o Mavericco disse que não se sabe qual o crime. Mas o Deane diz que:

Seamus Deane
 

It is sexual in nature, it involves his daughter, Issy, and it happened in the Phoenix Park, Dublin's equivalent of the Garden of Eden. The crime, so-called, has to do with the exposure of the genitalia, male and female, to a voyeuristic gaze. The father gazes on the daughter, the dauther on the father, each on him or her self; and both are gazed on by three soldiers who represent the Earwicker children themselves and also the violence that is intimately connected both with sexuality and its repression and with the Phoenix Park and its dominating monument...


Não sei se é melhor deixar essa discussão mais para frente, mas vejam aí...

E sobre o Finn MacCool, já tinha tido contato com ele no "At Swim-Two-Birds", do Flann O'Brien, onde aparece como um dos personagens das histórias do personagem principal. Ele é retratado como o epítome de todas as virtudes heróicas, o mais forte, o mais sagaz, etc. E se percebe também sua ligação com a ancestralidade irlandesa, pela maneira como seu discurso é preenchido expressões locais e canções épicas. Acho que ele acabou se tornando um símbolo de identidade para essa geração de escritores irlandeses. Um outro personagem é uma espécie duende, mas não chega a acontecer essa cena do salmão, acho que não é o mesmo Finn... É, o Wikipedia me lembrou, o "pooka" se chama MacPhellimey.
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Mavericco
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Nel mezzo del cammin
[ *  * ]
Interessante essa visão do Deane... A versão que li é que o HCE possuía desejos sexuais em relação à filha; e, quando encontra os soldados, ele responde à pergunta dos mesmos de forma acanhada -- o que é o suficiente para que ele seja condenado. Afonso Teixeira Filho, em sua tese de doutorado ("A noite e as vidas de Renato Avelar"), já apresenta outra versão: a de que duas mulheres estavam provavelmente urinando no Parque Phoenix (Dublin), quando três soldados observam HCE observando a moça. Uma história se espalha pela cidade contando o que havia acontecido naquela noite; quando, em outro passeio pelo parque, um soldado pergunta as horas à HCE e este, destrambelhado, pensado ser um interrogatório, acaba "se entregando". Afonso comenta também dum caso ocorrido com um famoso cantor (Caruso), quando este estava num zoológico observando aos macacos. Uma mulher ao seu lado acusa, de repente, Caruso de ter tocado em seus quadris, e Caruso é julgado e condenado (a pena é mínima: multa de dez dólares); mas muitos intelectuais ficaram indignados com a condenação, inclusive o próprio Joyce, que ironizou a situação dizendo que, se três policiais foram necessários para prender Caruso, porque não usaram mais três para prender o macaco.

A questão é que Afonso lembra que em FW, HCE toma a culpa do homem e do macaco. Tanto é que HCE anda curvado (Afonso não cita fontes) e uma de suas iniciais é Chimpden, palavra que contem chimp, macaco em inglês.

P.S.: O inseto earwig, cujo nome possui relances sob HCE, é na verdade um inseto dermáptero: Forficula aricularis Linnaeus, uma tesourinha ou lacrainha que, acredita-se, entra no orelho das pessoas enquanto a mesma dorme (Afonso aponta também que a palavra "inseto" torna-se "incesto", num lapso da linguagem provavelmente decorrente da época do sono [visto que o mesmo é dividido em etapas] como no Ulysses, onde a linguagem do começo do livro em muito difere da linguagem do final do livro, insinuando o cansaço da mesma).

P.S.2: Na tese de Afonso, ele ressalta o grande número de alusões à óperas no FW (um número de mais de três mil -- a mais mencionada é "O anel de Nibelungo" do Wagner). Joyce sempre sonhou em ser tenor, tendo tido, inclusive, uma voz bastante propensa para tal. Na biografia de Ellmann muitas peripécias e aventuras de Joyce e seu piano ou de Joyce e sua carreira musical (no final de sua vida, Joyce agente musical) são relatadas. Afinal de contas, como diz muito bem Afonso, FW é a obra de alguém que estava quase ficando cego e que, querendo ou não, restava-se apenas para o som das coisas assim como Homero para as histórias que lhe chegavam ao ouvido ou como Milton e sua crença religiosa...
Edited by Mavericco, Jun 18 2011, 01:29 AM.
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Watson
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Mavericco
 
Mas aqui o Somno está, parente estreito


Na minha edição da Eneida, tradução do Manoel Odorico está:

"Pálidos Morbos e a Velhice triste,
Má conselheira a Fome e a vil Penúria,
Visões de horror; da mente os ruins prazres,
E a Morte e a Lida, e o Sono Irmão da Morte" (livro VI, 285/288)

Por falar em coincidências (e possíveis interpretações freudianas que ainda não tenho coragem de desenvolver), elas não param por aí. Vejam que a história do pedreiro Finn também guarda paralelos com as histórias sumérias de Inanna (in + anna=dentro de Anna). No mito, Inanna vai ao underworld, morre e também ressuscita por meio de contato com um líquido (Water of Life), mas tem de ser substituída por alguém que deverá ficar em seu lugar (no caso Dumuzi e depois Geshtinanna). No Golden Bough (cujo título é referência ao episódio similar de Enéias) Frazer ressalta o caráter cíclico dessa mito que representaria o ciclo da colheita (os grãos nascem, perecem no underworld e ressuscitam), similar a outros mitos destacando-se dentre estes o de Osíris, o de Persephone, o de Adonis e o de Attis (=lembra o retorno dos ciclos da Scienza Nuova de Vico). Aliás, outros paralelos surgem quando levada em consideração a versão presente na biblioteca de Ninive e seu cotejo com o nome dos personagens vez que há um "Chimpden" que inclusive briga com Anna (ALP). Outro paralelo com a mitologia babilônia seria com o mito de Etana, cujo fim se encontra perdido. Este último trata de um juramento (cobra e águia), uma traição e a busca de Etana pela "Plant of Birth" que por não ser achada em nenhum local na terra, faz com que Etana e a águia, voem para o céu (heaven). No final, Etana cai das costas da águia, mas após um sonho auspicioso eles tentam novamente. Interessante que a fonte do mito está relacionada com a descoberta de Erech (Uruk, Orchoe em grego e atualmente Warka - local vinculado também ao Epico de Gilgamesh e a narrativa da viagem deste ao underworld) do templo de E-Anna (houves of heaven) nesse sítio, sendo também o nome de um templo que ficava in the bank of the river (riverrun ou river ann ? o som é o mesmo...).

Outrossim, HCE na versão Here Comes Everybody (universal) lembra muito o Whitman da "Song of Myself" especialmente em 16, 20, 21, 33 e 51 (se quiserem eu posto os trechos...).

Bem, mas prosseguindo, deixo o post do Deckard para o próximo post, oportunidade em que pretendo também já postar algo sobre a primeira parte do livro (3.1 a 6.18)... Isso se sair algo, pois aparentemente não dá pra entender nada... rss
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Watson
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Mavericco
 
A versão que li é que o HCE possuía desejos sexuais em relação à filha; e, quando encontra os soldados, ele responde à pergunta dos mesmos de forma acanhada -- o que é o suficiente para que ele seja condenado.


Na introdução do Schuler consta que "A ansiedade de Earwicker em justificar-se dissemina lapsos em sua alocução. A ênfase com que se defende o incrimina. Boateiros dizem que ele sofre de doença vil (a vile disease)" (p. 17)
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Spade
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Amigos,

Desculpando-me pelo atraso, consegui ler a introdução nesse final de semana. É suposto que agora já estejamos na primeira etapa do primeiro capítulo, não é isso?

Bom, sobre a introdução decepcionei-me um pouco. O introdutor-tradutor, embora filósofo, parece não dar muita bola para o aforismo de Ortega y Gasset...

Mas procurarei seguir o conselho dele: passar pelo texto sem procurar o que ele esconde... Claro que tirarei proveito do que os amigos encontrarem, rsrsrsr...

Breve nota bibliográfica do tradutor:

Donaldo Schüler é natural de Videira, Santa Cataria (1932). É doutor em Letras e Livre-Docente pela UFRGS e pela PUCRS. É professor titular aposentado em Língua e Literatura grega da UFRGS. É professor do Curso de Pós-graduação em Filosofia da PUCRS. Realizou estágio de pós-doutorado na USP, concluído com a publicação do trabalho Eros: dialética e retórica. Ministrou cursos em nível de graduação e de pós-graduação no Brasil e no exterior (Estados Unidos, Canadá, Uruguai, Chile, Argentina). Atua como conferencista e professor em várias instituições e universidades. Escreveu ensaios, entre eles: Teoria do romance, Narciso Errante, Eros: dialética e retórica, Na conquista do Brasil, Heráclito e seu (dis)curso, Origens do discurso democrático. Romances, entre eles: A Mulher Afortunada, Faustino, Pedro de Malasartes e Império Caboclo. Traduziu o romance Finnegans Wake, de James Joyce, tragédias gregas e a Odisséia¸ de Homero. Gaúcho Honorário. Recebeu a Comenda do Infante D. Henrique (Portugal) em l974. Recebeu o Prêmio John Jameson por significativa contribuição à difusão da cultura irlandesa no Brasil, em 2000. É detentor do Título Honorífico de Cidadão de Porto Alegre e da Medalha Negrinho do Pastoreio, concedida pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul em 2002. Recebeu o Prêmio Fato Literário, em 2003, oferecido pela RBS e o BANRISUL. A Associação Paulista de Críticos Literários (APCA), escolheu Finnegans Wake como a melhor tradução de 2003. A Câmara Brasileira do Livro concedeu-lhe o Prêmio Jabuti 2004 pela tradução de Finnegans Wake. Recebeu o Diploma Legislativo de Mérito Social da Câmara de Vereadores do Município de Videira, SC em 2005. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria de tradução (2004) e na categoria de literatura infanto-juvenil (2005). Recebeu o título de Professor Emérito da UFRGS (2007). Recebeu o Prêmio de Literarura Joaquim Felizardo da Prefeitura de Porto Alegre (2008). Recebeu a Medalha Cruz e Souza do Estado de Santa Catarina (2009).
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Poirot
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[ * ]
Meus amigos, confesso que tentei ler o início do livro junto com as notas ao final, e não entendi absolutamente NADA. Já sabia que ele era considerado o mais difícil dos livros de literatura, mas não achei que fosse tanto assim. Alguém teve um pouco mais de sucesso?
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Watson
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Muito interessantes as informações trazidas pelo Deckard! Vamos ver como essa questão da queda vai se desenvolver no fluir do livro....

Spade
 
Desculpando-me pelo atraso, consegui ler a introdução nesse final de semana. É suposto que agora já estejamos na primeira etapa do primeiro capítulo, não é isso?


Isso mesmo, mas estou meio atrasado... Consegui até ler o texto mas ainda não consegui ler as notas do Schuller (li apenas a primeira)... Vou ver se hoje à noite consigo terminar...

Spade
 
Bom, sobre a introdução decepcionei-me um pouco. O introdutor-tradutor, embora filósofo, parece não dar muita bola para o aforismo de Ortega y Gasset...

Mas procurarei seguir o conselho dele: passar pelo texto sem procurar o que ele esconde... Claro que tirarei proveito do que os amigos encontrarem, rsrsrsr



Qual aforismo, aquele do prazer estético da La deshumanización del Arte (=O prazer estético deve ser um prazer inteligente) que vai de encontro à frase do Schuller "não se espere, nem assim, inteligibilidade completa do texto"? Se for, acho que vc tem absoluta razão, pois teremos que dar um voto de confiança ao nosso Virgílio Dantiano (=Schuler), afinal por enquanto contamos apenas com ele (e o Deane no caso do Deckard) para nos guiarem sibilinamente para longe da via smarrita que é a vã tentativa de inteligibilidade completa do texto. Agora, considerando a natureza investigatória dos nossos avatares, acho que teremos imensa dificuldade para passar pelo texto sem explorar o que ele esconde, rsss. Já aproveitar os jogos sonoros e o ludismo de imagens e de idéias, acho que isso sim faremos com certa facilidade to enjoyce the text and have lots of fin(n) at funegans wake.

Spade
 
Donaldo Schüler é natural de Videira, Santa Cataria (1932). É doutor em Letras e Livre-Docente pela UFRGS e pela PUCRS. É professor titular aposentado em Língua e Literatura grega da UFRGS. É professor do Curso de Pós-graduação em Filosofia da PUCRS. Realizou estágio de pós-doutorado na USP, concluído com a publicação do trabalho Eros: dialética e retórica. Ministrou cursos em nível de graduação e de pós-graduação no Brasil e no exterior (Estados Unidos, Canadá, Uruguai, Chile, Argentina). Atua como conferencista e professor em várias instituições e universidades. Escreveu ensaios, entre eles: Teoria do romance, Narciso Errante, Eros: dialética e retórica, Na conquista do Brasil, Heráclito e seu (dis)curso, Origens do discurso democrático. Romances, entre eles: A Mulher Afortunada, Faustino, Pedro de Malasartes e Império Caboclo. Traduziu o romance Finnegans Wake, de James Joyce, tragédias gregas e a Odisséia¸ de Homero. Gaúcho Honorário. Recebeu a Comenda do Infante D. Henrique (Portugal) em l974. Recebeu o Prêmio John Jameson por significativa contribuição à difusão da cultura irlandesa no Brasil, em 2000. É detentor do Título Honorífico de Cidadão de Porto Alegre e da Medalha Negrinho do Pastoreio, concedida pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul em 2002. Recebeu o Prêmio Fato Literário, em 2003, oferecido pela RBS e o BANRISUL. A Associação Paulista de Críticos Literários (APCA), escolheu Finnegans Wake como a melhor tradução de 2003. A Câmara Brasileira do Livro concedeu-lhe o Prêmio Jabuti 2004 pela tradução de Finnegans Wake. Recebeu o Diploma Legislativo de Mérito Social da Câmara de Vereadores do Município de Videira, SC em 2005. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria de tradução (2004) e na categoria de literatura infanto-juvenil (2005). Recebeu o título de Professor Emérito da UFRGS (2007). Recebeu o Prêmio de Literarura Joaquim Felizardo da Prefeitura de Porto Alegre (2008). Recebeu a Medalha Cruz e Souza do Estado de Santa Catarina (2009).



Valeu Spade! Muito Interessante essas informações sobre o Schuler! Qdo li tradução em Português que ele fez da Odisséia (bilingue) imaginava que ele fosse um rapaz de entre vinte e poucos e trinta e poucos anos, pois a linguagem que ele utiliza é bem moderna (dentre as traduções de clássicos é a mais moderna que conheço...). Confesso que não imaginava que estava lendo o texto de um catedrático de quase 80 anos com um currículo desses. Aliás, tenho também a obra dele sobre Heráclito, mas essa ainda não deu tempo de ler. Por falar no filósofo do devir, ele foi o primeiro filósofo que me veio à cabeça quando li o "riverrun, past Eve and Adam´s, from swerve of shore to bend of bay, brings us by commdius vicus of recirculation back to Howth Castle and Envrirons". Aliás, a referida metáfora heraclitiana já me evocou também o primeiro poeta, o japonês Kamo no Chomey (séc XII), que reverberou no Hojoki a metáfora heracliteana. Até mandei a citação pro Mavericco, mas agora não vai dar tempo de localizar... A obra (Hojoki), aliás, foi traduzida ao espanhol pela secretária e a se crer no documento "paraguaio" segunda esposa do Borges (Kodama - http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/borges-e-seus-dois-tumulos-os-dois-casamentos-e-o-consul-paraguaio-que-nao-era-consul-sequer-paraguaio/). Já a primeira associação musical, para seguir no ritmo do Poirot, só foi surgir quando conjuguei the fall (15) com o título do livro (wake) e com a profissão pedreiro e a lembrei da música do sobrinho do concorrente lexicográfico do nosso primeiro tradutor do Ulisses que também é sobre um tombo (e a morte) de um pedreiro que tropeçou no céu como se fosse um bêbado: http://www.kboing.com.br/chico-buarque/1-48064/.

Poirot
 
Meus amigos, confesso que tentei ler o início do livro junto com as notas ao final, e não entendi absolutamente NADA. Já sabia que ele era considerado o mais difícil dos livros de literatura, mas não achei que fosse tanto assim. Alguém teve um pouco mais de sucesso?


Entendi muito pouco, mas vamos lá. Alguém está sonhando. Não um sonho linear como o de Chesterton (The man who was thursday), mas um sonho fluído como aqueles narrados por Freud (The interpretation of Dreams). A idéia básica da interpretação freudiana é que o sonhos comunicam desejos (insconscientes), os quais são reprimidos naquela dinânimica de id, ego e superego. Um meio de camuflar as coisas é a associação (na psique de Ana O. , a famosa paciente de Freud, a visão do cãozinho se sobrepusera a conteúdos reprimidos e censurados). Para Freud, a análise dos sonhos é semelhante a uma exploração geográfica (por isso menção à geografia de Dublin, Howth Castle and Enviros-HCE, ao Lifey, ao Phoenix Park). Mas, existe uma lógica onírica, os sonhos comunicam desejos reprimidos (que estão no id, mas são barrados pelo superego...e.g. complexo de Édipo). Logo, eles acabam se manifestando de forma camuflada, por meio de associações. Os desejos manifestados, vão sempre refletir a polaridade psicológica que se manifesta nas duas pulsões fundamentais e complementares: eros vs. tanatos, amor e ódio, forças atrativas e repulsivas, o maior livro do Tolstoi (nota 1), o segundo título do livro do Sarmiento (nota 1), a queda e a ressurreição, o cosmos e o caos, a vida e a morte, o ying e o yang, a dialética de Hegel... A história é o conflito, o riverrun...
O tempo passou desde Eva e Adão, mas as coisas não mudaram. A história é a mesma desde a primeira queda (Eve and Adam). O guerra continua, amor e morte se complementam. O amor de Tristham (Isolda) causa a guerra na peninsula. O amor de Tristham tem natureza sexual (penisolate war), como a pulsão eros em Freud. Desde que o verbo se fez carne (mishe= eu sou), até a construção da igreja (thuartpeatrick=tu és Pedro e sobre essa Pedra construirirei...), a briga e seu oposto ocorrem de forma fluída e ininterrupta como os logros do filho de Isaac. A queda de Adam, lembra a queda da bolsa. O trovão ecoa (konn, bronnte, tonner, thuon, trovar, orden), a quede de Finnegan e a de WallStreet. A história se repete, como a Scienza Nuova de Vico. Daí passasse a história do pedreiro Finn e do gigante Finn MacColl. Bem, tenho que parar por aqui, mas fiquei impressionado com a quantidade de referências bíblicas e literárias, é como se cada palavra tivesse uma pluralidade de sentidos como no próprio título e os paralelos beiram ao infinito.... (vários livros da bíblia são citados no meio do texto, vários literatos, títulos de obras, personagens, referências etc...)
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Spade
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Watson
Jun 22 2011, 03:02 PM
Qual aforismo, aquele do prazer estético da La deshumanización del Arte (=O prazer estético deve ser um prazer inteligente) que vai de encontro à frase do Schuller "não se espere, nem assim, inteligibilidade completa do texto"? Se for, acho que vc tem absoluta razão, pois teremos que dar um voto de confiança ao nosso Virgílio Dantiano (=Schuler), afinal por enquanto contamos apenas com ele (e o Deane no caso do Deckard) para nos guiarem sibilinamente para longe da via smarrita que é a vã tentativa de inteligibilidade completa do texto. Agora, considerando a natureza investigatória dos nossos avatares, acho que teremos imensa dificuldade para passar pelo texto sem explorar o que ele esconde, rsss. Já aproveitar os jogos sonoros e o ludismo de imagens e de idéias, acho que isso sim faremos com certa facilidade to enjoyce the text and have lots of fin(n) at funegans wake.
Não... Na verdade referia-me ao da clareza como sendo a gentileza dos filósofos, rsrs...

Assim como o amigo Poirot, não entendi patavina! Vou reler o texto e ler as notas.
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Watson
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Spade
 
Não... Na verdade referia-me ao da clareza como sendo a gentileza dos filósofos, rsrs...


Bem, de qualquer forma não deixo de concordar com vc, rsss...

Spade
 
Assim como o amigo Poirot, não entendi patavina! Vou reler o texto e ler as notas.


Acabei de ler as notas. Interessante que no meio das referências perceptíveis existem quinhentas outras relacionadas à Irlanda (matéria em que meu conhecimento é praticamente desprezível), além de referências históricas, geográficas, religiosas, arqueológicas e psicanalíticas. Assim, a cada tradução ou transcriação (termo da predileção de um amigo), perde-se grande parte dessas referências (o que, no entanto, não tira o mérito da excelente tradução do Schuller). Mais, as referências não são só tipográficas mas também sonoras, às vezes elas trabalham mais com os sons das palavras ou os invertem (nathandjoe= Jonhatan, sesthers=esters, was iz=was ist alemão, and O.= (?)Ana O.), mesclam palavras (phoenish=fênix com finish, guenesis= genesis + guinness, skyerscape=skyscrapper + scape) e por aí vai... Acho que uma relida no texto, após a leitura das notas ajuda bastante a melhorar um pouco a compreensão...
Edited by Watson, Jun 23 2011, 03:54 PM.
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