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Mensagem; Leitura coletiva do livro Mensagem de Fernando Pessoa
Topic Started: Jul 8 2011, 10:26 PM (3,050 Views)
Filipe
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Não sabem o quanto estou envergonhado por não ter aparecido aqui. Peço umas sinceras desculpas.
Também não posso dizer por palavras o que é conhecer uma pessoa que teve contacto directo com Pessoa, é mágico mesmo.

Bom, agora que chegámos ao Mar Português, chegou a minha hora:
Mar Português
Possessio Maris (Posse do Mar):
- parte mais épica da obra, referente à luta com o mar e a construção do Quinto Império
- recria a saga dos Descobrimentos (inclui o mito e a realidade factual)
- retrata os heróis que foram os protagonistas a expansão ultramarina portuguesa.
- Portugal realiza-se no Mar(território marítimo - 2º dinastia)
- 12 poemas.

No final da 2º dinastia, Portugal morre metonimicamente sepultado com D. Sebastião - deixa Portugal na orfandade - FIM do SONHO

Fiz a semana passada o exame nacional daqui de Português, e adivinham o que veio?
Mensagem! XD
Veio o poema "A Última Nau", do Mar Português.
Já que estamos nesta parte, posso pôr aqui o poema e as perguntas que eles fazem. Também já tenho a correcção.
Pode ser que descubramos alguma coisa.
Edited by Filipe, Aug 5 2011, 06:23 PM.
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Mavericco
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Nel mezzo del cammin
[ *  * ]
Hum... Interessante. Acho que está a fazer sentido algumas coisas...

Vendo algumas notas na edição da EDUSP, vi que o poema Os Colombos, de número VI na parte do MAR PORTUGUEZ, foi publicado na revista Contemporânea, vol. 2 nº 4, na mesma posição (VI), mas como outro poema:

IRONIA

Faz um a casa onde outro poz a pedra.
O gallego Colón, de Pontevedra,
Seguiu-nos para onde nós não fomos.
Não vimos da nossa árvore esses pomos.

Um imperio ganhou para Castella,
Para si glória merecida -- aquella
De um grande longe aos mares conquistados.
Mas não ganhou o tel-o começado.
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Watson
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002
[ *  * ]
Interessantes suas observações Mavericco e mais interessante, ainda, o fato de que hoje conseguimos conversar com alguém com alguém que está do outro lado do mar sem ter que enfrentar os seus perigos (e a sua dor), como então cantava o Fernando Pessoa.
O dicionário de literatura Portuguesa e Brasileira do Jacinto do Prado Coelho (v. 2, F-M, 3. ed, 1982) possui um verbete específico só sobre o mar que ressalta (e bem) a importância deste na temática portuguesa. Segundo o mesmo, o mar só adquire caráter épico com os descobrimentos (nos lusíadas), sendo que anteriormente este teria na lírica galaico-portuguesa significado de expressão da sensibilidade amorosa. Para tanto ele cita como exempos Rui Fernandes (Maldito sea el mare/que mi faz tanto male!), Joan Zorro (El-Rey Oirgyake/Barcas mandou lavrare) e Pa Gomez Charinho (As frores do meu amado/briosas van en o barco/Sobre o mar ven flores de amor ten). Cita, ainda, Gonçalo Eanes do Vinhal que numa cantiga de mal-dizer atribui a sua ausência de medo do mar a ter sua mãe o gerado de algum animal marinho (E nunca vimos d´outr´ome falar/que não temesse mal tempo do mar). Segundo o mesmo outros temas constantes ligados a poesia marítima seriam o saudosismo da partida, tanto quanto a tristeza das ausências e a alegria magoada dos regressos. Quanto ao saudosismo, vale destacar os versos de Lopes Vieira (O fundo do mar está cheio/daquelas grandes saudades/ dos nossos, que as tempestades/lhe sepultaram no seio) e do próprio Alvaro de Campos (ah, todo cais é uma saudade de pedra!).

Talvez dessa influência resultou o famoso e belo verso:

Mensagem
 
Ò MAR SALGADO, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivs ficaram por casar
Para que fosses nosso, ò mar!


Aliás, nesse último, perceptível a influência dos seguintes trechos citados no dicionário:

As ondas que além vês não cessam de chorar,/de suplicar misericórdia em altos brados (Eugenio de Castro)
Convento de águas do mar, ó verde convento/cuja Abadessa secular é a Lua (Antonio Nobre)

Outrossim, a contraposição entre o homem e o mar evoca novamente o confronto entre o Homem e a Natureza, que nos Lusíadas restou personificado no gigante Adamastor (Cabo das Tormentas) mencionado pelo Mavericco. Essa temática, aliás, reflui na estrofe seguinte (talvez a mais conhecida de Pessoa) que continua a passagem sobre o mar falando:

Mensagem
 
Valeu a pena ? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu


Mas há outros belos versos como estes que lembram aquele jogo de xadrez do Borges:

Mensagem
 
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que aterra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e fôste desvendando a espuma.

Fosse a Acaso, ou Vontade ou Temporal
A mão que ergueu o facho que luiziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu


Mavericco
 
Vendo algumas notas na edição da EDUSP, vi que o poema Os Colombos, de número VI na parte do MAR PORTUGUEZ, foi publicado na revista Contemporânea, vol. 2 nº 4, na mesma posição (VI), mas como outro poema:

Não só ele como também outros que compõem o mar Português. Segundo o Dicionário (verbete Mensagem) o Monstrengo chamava-se "O Morcego". Aliás, o mesmo considera mensagem como uma poesia épica sui generis, ou melhor dizendo epo-lírica não só pela atitude fragmentária como pela atitude introspectiva (como antes mencionado pelo Felipe). Outrossim, afirma o autor que raras vezes o poeta se serve da épica tradicional ou lembra as dores reais da História Trágico-Marítima, sendo que de um modo geral ele mentaliza a matéria épica, integrando-a a na corrente subjectiva, reduzindo essa matéria a imagens simbólicas pelas quais o poeta liricamente se exprime.

Filipe
 
Veio o poema "A Última Nau", do Mar Português.
Já que estamos nesta parte, posso pôr aqui o poema e as perguntas que eles fazem. Também já tenho a correcção.

Interessante, Felipe. Não seria esse poema talvez a profetização da volta de Dom Sebastião, como uma das quadras do Bandarra. Falo isso pelos seguintes trechos:

Mensagem
 
E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que ha a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alam embora
Mysterio.
Surges ao sol em mim, e a nevoa finda
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Imperio


Na Paráfrase e Concordância de algumas profecias de Bandarra consta:

Quote:
 
Dom Sebastião, por graça de Deus Rei de Porgual, aparecido e profetizado.(...)
Tirará toda a Erronia,/Fará Paz em todo o mundo (...)


Aliás, por falar em profecia, no mesmo Dicionário que citei anteriormente (v. 3, N-R) consta que Fernando Pessoa "é o poeta de mais larga projecção na poesia em língua portuguesa, dos dois lados do Atlântico". A afirmação talvez seja polêmica, vez que o mesmo dicionário afirma ser Camões "o mais célebre dos escritores portugueses" (verbete Camões). Outrossim, pesquisando fontes em outras línguas encontrei sobre Camões as seguintes epítetos "the greatest of portuguese poets" (verbete Camões na Britânica de 1961), "le plus grand des poètes portugais" (Dictionaire Enciclopedique Quillet 1934) e "Camoes werke sind der bedeutendste Beitrag Portugals zur Weltlietratur" (Meyers 1981). De qualquer forma, a simples existência dessa afirmação não deixa de ser um presságio acerca de possibilidade de concretização da profecia presente na "Nova Poesia Portuguesa", mormente em se considerando que a maior parte da obra de Fernando Pessoa não se encontra sequer publicada.
Edited by Watson, Aug 7 2011, 03:53 PM.
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Filipe
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As estrofes que o Watson pôs são algumas das minha preferidas em Mensagem.

Sim, acho que tens razão, pelo que eu percebi do poema.
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Mavericco
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Nel mezzo del cammin
[ *  * ]
Quote:
 
Interessantes suas observações Mavericco e mais interessante, ainda, o fato de que hoje conseguimos conversar com alguém com alguém que está do outro lado do mar sem ter que enfrentar os seus perigos (e a sua dor), como então cantava o Fernando Pessoa.
O dicionário de literatura Portuguesa e Brasileira do Jacinto do Prado Coelho (v. 2, F-M, 3. ed, 1982) possui um verbete específico só sobre o mar que ressalta (e bem) a importância deste na temática portuguesa. Segundo o mesmo, o mar só adquire caráter épico com os descobrimentos (nos lusíadas), sendo que anteriormente este teria na lírica galaico-portuguesa significado de expressão da sensibilidade amorosa. Para tanto ele cita como exempos Rui Fernandes (Maldito sea el mare/que mi faz tanto male!), Joan Zorro (El-Rey Oirgyake/Barcas mandou lavrare) e Pa Gomez Charinho (As frores do meu amado/briosas van en o barco/Sobre o mar ven flores de amor ten). Cita, ainda, Gonçalo Eanes do Vinhal que numa cantiga de mal-dizer atribui a sua ausência de medo do mar a ter sua mãe o gerado de algum animal marinho (E nunca vimos d´outr´ome falar/que não temesse mal tempo do mar). Segundo o mesmo outros temas constantes ligados a poesia marítima seriam o saudosismo da partida, tanto quanto a tristeza das ausências e a alegria magoada dos regressos. Quanto ao saudosismo, vale destacar os versos de Lopes Vieira (O fundo do mar está cheio/daquelas grandes saudades/ dos nossos, que as tempestades/lhe sepultaram no seio) e do próprio Alvaro de Campos (ah, todo cais é uma saudade de pedra!).


Existia um tipo específico de cantiga trovadoresca de amigo quando a mesma era feita no mar: as tais das "marinhas" ou "barcarolas".... Não tenho nenhuma na culatra; mas depois tento dar uma olhada no cancioneiro do D. Dinis...

Quote:
 
Outrossim, a contraposição entre o homem e o mar evoca novamente o confronto entre o Homem e a Natureza, que nos Lusíadas restou personificado no gigante Adamastor (Cabo das Tormentas) mencionado pelo Mavericco. Essa temática, aliás, reflui na estrofe seguinte (talvez a mais conhecida de Pessoa) que continua a passagem sobre o mar falando:


Não sabia que a segunda estrofe era a fala do mar... :huh:
Interessante... Isso dá um significado bem diferente à coisa!

Quote:
 
Aliás, por falar em profecia, no mesmo Dicionário que citei anteriormente (v. 3, N-R) consta que Fernando Pessoa "é o poeta de mais larga projecção na poesia em língua portuguesa, dos dois lados do Atlântico". A afirmação talvez seja polêmica, vez que o mesmo dicionário afirma ser Camões "o mais célebre dos escritores portugueses" (verbete Camões). Outrossim, pesquisando fontes em outras línguas encontrei sobre Camões as seguintes epítetos "the greatest of portuguese poets" (verbete Camões na Britânica de 1961), "le plus grand des poètes portugais" (Dictionaire Enciclopedique Quillet 1934) e "Camoes werke sind der bedeutendste Beitrag Portugals zur Weltlietratur" (Meyers 1981). De qualquer forma, a simples existência dessa afirmação não deixa de ser um presságio acerca de possibilidade de concretização da profecia presente na "Nova Poesia Portuguesa", mormente em se considerando que a maior parte da obra de Fernando Pessoa não se encontra sequer publicada.


Richard Zenith, no seu posfácio à Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal se refere a determinados cálculos que Pessoa realizou datando o nascimento do Encoberto para 1888 (sua data de nascimento)... Mas ele se limita basicamente a citar sem nenhuma fonte (se é que existiria alguma fonte além dos cadernos em-si).
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Poirot
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001
[ * ]
Caros amigos, peço desculpas pelo meu sumiço, mas passei por período de intenso ritmo de trabalho desde o meio de julho, o qual vem se prolongando agosto a dentro. Quero, depois, analisar com calma todos os posts, que, tenho certeza, estão ótimos.

Por fim, devo dizer que concordo com o Mavericco que não há parte mais bela do que Mar Português. Pena que não tenha podido contribuir justamente durante essas duas semanas.
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Mavericco
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Nel mezzo del cammin
[ *  * ]
Quote:
 
até 18/07 - Prazo para obtenção do livro e discussão sobre aspectos gerais da obra
18/07 a 24/07 - Primeira Parte - Os Campos: Os Castelos
25/07 a 31/07 - Primeira Parte - Os Campos: As Quinas; A Coroa; O Timbre
01/08 a 07/08 - Segunda Parte - O Mar Português: de I - O Infante até VI - Os Colombos

08/08 a 14/08 - Segunda Parte - O Mar Português: de VII - Ocidente até XII - Prece

15/08 a 21/08 - Terceira Parte - O Encoberto


Bem... Acho que acabamos por dizer muito na primeira parte do Mar Português! Acho que a única coisa que me chamou a atenção é o fato do poema "Mar Português" dar uma guinada em relação ao livro e, após contar os símbolos passados, tenta decifrar quais seriam os símbolos futuros (que será analisado na última parte). A prece, sendo assim, poderia ser uma conclamação às musas para um épico que estaria apenas por chegar: o épico da vinda do Encoberto...
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Watson
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002
[ *  * ]
Amigos, também fiquei (e estou) meio apertado nessas duas últimas semanas... Como houveram muito poucos posts, proponho que passemos a terceira parte para a semana seguinte 22/08 a 29/08 ou então façamos uma parte conclusiva englobando o livro como um todo... Como o Poirot, desde já peço desculpas pelo sumiço...
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Antonio Maria Pereira

Jovens d’além mar e daqui!

Hoje acordei melhor do resfriado de que me acometi nas duas últimas semanas, e já um tanto saudoso de vocês volto ao nosso colóquio, ao penúltimo dia do cronograma de Poirot.

Bom, já que stamos na última parte da Mensagem...

Poirot
 
Termino de ler um livro sobre física quântica e suas teorias dos muitos mundos e me descubro em um universo onde Antonio Maria Pereira ainda está vivo e discutindo em um forum na internet. Bom, seja muito bem-vindo em seu retorno ao mundo dos vivos!


O Fernando fez bela "Prece" ao dizer que "Se ainda há vida ainda não é finda."

Mas, por falar em física quântica, lembro a indagação do Fernando:

"Haverá rasgões no espaço
Que dêem para o outro lado,
E que, um d'elles encontrado,
Aqui, onde há só sargaço,
Surja uma ilha velada,
O paiz afortunado
Que guarda o Rei desterrado
Em sua vida encantada?"

Em algumas passagens de “Mar Portuguez”, quero crer que se entreveja alguma influência do Antônio Augusto de Castro Alves, na bem sucedida forma de convocação de uma personagem histórica (ou mitológica). Vejam:

No “Epithaphio de Bartolomeu Dias”, em tom de exaltação épica inerente à obra, Fernando convoca Atlas:

“O mar é o mesmo: já ninguém o tema!
Atlas, mostra alto o mundo no seu hombro”

E Castro Alves a Colombo e Andrada:

“Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!”

Também vejo analogia no estilo com que Fernando indaga, em “Fernão de Magalhães”:

“De quem é a dança que a noite aterra?
São os Titans, os filhos da Terra,
Que dançam da morte do marinheiro”

No Navio Negreiro, vejam as seguintes passagens:

“Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar? “

E, ainda quanto à forma, a indagação seguida de resposta (Castro Alves! Está aí um genial poeta de vocês, irmãos brasileiros):

“Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
[...]
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . . “

Meus jovens! Já que parece termos chegado ao final... (a não ser que acolhamos a sugestão do Watson prorrogarmos o prazo das discussões em uma semana, se a saúde me permitir... E também cumprimento Watson pela criação, na linha da sugestão de nosso amigo literato, o Mavericco, do tópico “poetas nacionais supercontemporâneos”. A mim muito agradou a expressão “poesia supercontemporânea”. Encaminhemo-nos gradativamente para o espaço vizinho de discussão de modo a não perdermos o contacto).

Enfim, já que parece termos chegado ao final... o notável resumo da alma portuguesa ao fim da Mensagem:

“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder”

Há todavia otimismo final:

“É a Hora!”

Força, irmãos!
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Watson
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002
[ *  * ]
Antonio Maria Pereira
 
Mas, por falar em física quântica, lembro a indagação do Fernando:

"Haverá rasgões no espaço
Que dêem para o outro lado,
E que, um d'elles encontrado,
Aqui, onde há só sargaço,
Surja uma ilha velada,
O paiz afortunado
Que guarda o Rei desterrado
Em sua vida encantada?"



Interessante! No Universo Elegante (Cap 11) o Brian Greene admite essa possibilidade (de ruptura do tecido espacial) no âmbito da teoria das cordas (espaço de Kalabi-yau de 6 dimensões), o que ele chama de transição de virada (flop transition), etendendo que esta também poderia se dar em um espaço de 3 dimensões. Outrossim, ele não é conclusivo ao esclarecer as consequências de tal ruptura (se seria possível, por exemplo, construir um wormhole para cortar caminho evitando caminhos mais longos no espaço tempo ?). Por outro lado, não sei como a questão tem sido enfrentada nas outras teorias que ao lado da teoria das cordas almejam a unificação das 4 forças fundamentais da física (Loop Quantum Gravity, e.g.). Já que vc tocou no tema, aqui há uma idéia que parece promissora para a unificação da física quântica e da relatividade http://www.newscientist.com/article/mg21128241.700-beyond-spacetime-welcome-to-phase-space.html?full=true . Outra tentativa interessante é a do Garret Lisi com os Grupos de Lie E8, mas acho que a navalha de OKham aponta para o phase space, apesar da defesa de Lisi da simplicidade da sua teoria. De qualquer forma, tudo indica que caminhamos para uma breve quebra de paradigma no modelo padrão da física de partículas, mesmo porque sobra cada vez menos espaço para que seja encontrado o boson de Higgs http://www.newscientist.com/article/dn20817-higgs-boson-is-running-out-of-places-to-hide.html.

Muito interessante também o paralelo com a obra do Castro Alves. Aliás, por falar nisso, acho que esse trecho se aplica bem ao Pessoa e à sua Mensagem: Poeta, sábio, selvagem,/ Vós sois a santa equipagem/Da nau da civilização!

Antonio Maria Pereira
 
Meus jovens! Já que parece termos chegado ao final... (a não ser que acolhamos a sugestão do Watson prorrogarmos o prazo das discussões em uma semana, se a saúde me permitir... E também cumprimento Watson pela criação, na linha da sugestão de nosso amigo literato, o Mavericco, do tópico “poetas nacionais supercontemporâneos”. A mim muito agradou a expressão “poesia supercontemporânea”. Encaminhemo-nos gradativamente para o espaço vizinho de discussão de modo a não perdermos o contacto).


Pelo jeito, acho que a prorrogação não teve quórum. Talvez seja o caso de voltarmos para uma obra em prosa... Bem, seguindo o seu conselho, estou passando para o espaço vizinho....

Mavericco
 
Acho que acabamos por dizer muito na primeira parte do Mar Português! Acho que a única coisa que me chamou a atenção é o fato do poema "Mar Português" dar uma guinada em relação ao livro e, após contar os símbolos passados, tenta decifrar quais seriam os símbolos futuros (que será analisado na última parte). A prece, sendo assim, poderia ser uma conclamação às musas para um épico que estaria apenas por chegar: o épico da vinda do Encoberto...


Concordo com vc e o Poirot em considerar o mar português o mais belo, mas também há belos versos na parte final. Aliás, carregados de pura metafísica (para desespero do Alvaro de Campos de Lisbon Revisited!). Por exemplo, esses lembram a visão Heideggeriana do homem como projeto:

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem
Ser descontente e ser homem
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!

Essas aquela passagem de Enquanto Agonizo sobre o sentido da vida (se não me engano uma das poucas falas da falecida mãe dos heróis épicos da trama):

Vive porque a vida dura.
nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz -
Ter por vida a sepultura.

Ou esses que lembram a passagem inicial em que o mytho fecunda a realidade:

Onde quer que, entre sombras e dizeres,
Jazas, remoto, sente-te sonhado,
E ergue-te do fundo de não-seres
Para o teu novo fado!

Ou esses, nos quais o poeta busca consolo quando screve a beira-magua:

Só te sentir e te pensar
Meus dias vacuos enche e doura.
Mas quando quererás voltar ?

Para finalmente concluir que:

Ninguem sabe que coisa quere.
Ninquem conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem

Bem, como disse o Pessoa: Valete, Fratres. Nos vemos no próximo, livro!
Edited by Watson, Aug 24 2011, 02:26 AM.
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