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Mensagem; Leitura coletiva do livro Mensagem de Fernando Pessoa
Topic Started: Jul 8 2011, 10:26 PM (3,048 Views)
Mavericco
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Nel mezzo del cammin
[ *  * ]
A última mensagem é a concretização dos mitos, a parte verdadeiramente profética. É a parte onde o nacionalismo da obra alcança seu nível máximo. Conforme Massaud Moisés desenvolve em Fernando pessoa: o espelho e a esfinge, acerca da questão do supra-Camões, a ideia de Massaud era a de que Pessoa queria superar Camões em seu nível patriótico, e não em qualidade ou grandeza -- tanto é que ele [Pessoa] chega inclusive a julgar o Pátria de Guerra Junqueiro como um poema maior que Os Lusíadas (quando provavelmente o Pátria tem um ideal patriótico paralelo com o Mensagem, e daí o julgo de Pessoa -- não sei; nunca li o Pátria, mas pretendo nesse resto de mês ver o que consigo calhar e, quem sabe, encontrar mais paralelos).

Começamos com D. Sebastião, que já havia aparecido no livro. Se na primeira aparição Sebastião falava de sua loucura e questionava o que alguém poderia ser sem ser louco, nesta hora nós temos um contato muito próximo com Deus e com os sonhos, o que me lembra o final de D. Fernando ("Cheio de Deus, não temo o que virá, / pois, venha o que vier, nunca será / Maior do que a minha alma.").

O próximo poema, Quinto Império, como é comum na literatura (essa coisa do final evocar basicamente o livro todo [ou o leitor passar a evocar esse tipo de coisa]), tem citações acerca do primeiro poema, da Europa posta sob os cotovelos. O convite é tentador: "Quem vai viver a verdade / Que morreu D. Sebastião?" (mas se observarmos a primeira fala do Sebastião... Bem. Fiquemos com a segunda.)

O Desejado lembra Nun'Álvares Pereira: "'Sperança consumada, / S. Portugal em ser, / Ergue a luz da tua espada / Para a estrada se ver!"

As Ilhas Afortunadas eu só consigo me lembrar das Ilhas dos Amores de Os Lusíadas (além de dar uma ideia de que a ilha só existe em sonhos: "Mas, se vamos despertando / Cala a voz, e há só o mar.")

E aí terminamos Os Símbolos. Começa O Bandarra que é lindo, fantástico. Um de meus poemas preferidos do livro inteiro.

O "Antônio Vieira" é interessante pensarmos em epítetos como "Imperador da Língua Portuguesa" sendo outorgado e se esquecendo o gênio camoniano... Talvez porque Camões não viveu a verdade que morreu D. Sebastião!

O Terceiro eu confesso que fiquei um pouco perplexo, pois, ao mesmo passo que o poeta apresenta grande euforia (o final de Quinto Império), ele parece estar desanimado, cansado e às vezes eu percebi até um tom de desacreditado em sua fala!

Ah, quando quererás voltando,
Fazer minha esperança amor?
Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu Sonho e meu Senhor?


O que me faz lembrar muito a partida no "A Última Nau" mesclado com "A Prece".

Depois vem Noite que me lembra ainda mais "A Última Nau", mas, contudo, que possui partes como estas:

"É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos."


Que me fazem cair novamente numa crise existencial...

O "Tormenta" me lembra muito o Primeiro Fausto, onde, a quase todo instante, e praticamente o livro todo, você tem a contemplação do Mistério tanto por parte do Fausto quanto por parte de outras personagens, tais quais Lúcifer:

"Isto, e o mistério de que a noite é o fausto."

O "Calma" não consegui ver muito de excepcional nele, além de suas semelhanças com basicamente a parte "Mar Português" inteira (o que já é excepcional; mas em outro sentido).

"Antemanhã" é ligado grandemente com "O Monstrengo", mas eu me questiono o porque de Pessoa ter evocado novamente a figura do Monstrengo neste poema...

"Que veio aqui seu senhor chamar-
Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar."


Afinal, quem é este Senhor? Eu sou o único que pensa no Encoberto? Que o Encoberto é o Senhor do monstrengo?

É tudo um nevoeiro. Eu não sei de nada:

"Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem."


"Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro."


Mas de uma coisa eu sei:

"Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."

E valerá a pena, pois a alma não pode ser pequena depois de se ter lido Mensagem. Não, não pode. Valete, Frates.
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Antonio Maria Pereira

Também eu penso no Encoberto, é dizer, na representação de Portugal no símbolo que é Dom Senastião.

A evocação do Monstrengo, em Antemanhã, a mim parece ter um sentido claro, pois a circunstância é oposta ao encontro do Monstrengo com El-Rei d. João Segundo. Ali, quando primeiro se encontraram, d. João ao final respondeu, representando Portugal:

Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu!

Na penúltima poesia, Antemanhã, o monstrengo ( já com a inicial minúscula) é o monstrengo servo. Paradoxalmente, é o servo que vai chamar ao seu senhor que dorme:

Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar.

É significativo, pois, que o reaparecimento do monstrengo se dê na penúltima poesia, quando Portugal está encoberto pelo fogo-fátuo. Também o é que as palavras Aquele e Senhor estejam grafadas em maiúscula inicial, como antes estivera o monstrengo.

A situação se inverte, mas na poesia seguinte haverá otimismo, pois o monstrengo (que pode assumir em Antemanhã - não antes - o que o Fernando tentou fazer, que foi invocar em Portugal o seu passado) poderá ( nesta hora!) descerrar a cortina do fogo-fátuo que encobre Portugal.

São, contudo, interpretações muito pessoais deste velho.

Foi um prazer conviver com vocês, jovens amantes dos livros.

Não seria justo com o Fermando queixar-me do reumatismo, pois a mensagem final é de otimismo.

Digo, ainda que rouca a voz: "Valete, Fratres!"
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Filipe
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Ui, acho que venho um pedacinho tarde...

O Encoberto
Pax in excelsis (Paz nas alturas):
- faz a síntese da História (posterior ao desastre de Alcácer-Quibir)
- traduz o ocultamento gradual de Portugal
- depois da queda, o Sebastianismo, o apelo e a esperança da vinda do Salvador
- traduz a visão esotérica de Pessoa
- associada à figura do rei D. Sebastião, ao seu destino e consequente mito.
- afirma um sebastianismo de certeza profética
- Portugal realiza-se no Céu: tempo de santificação e glorificação do mundo - a dinastia que há de vir - Quinto Império - (Deus age pelo braço dos heróis)
- 13 poemas, 3 subdivisões (I - Os Símbolos; II - Os Avisos; III - Os Tempos)

E termina com: "Valete Fratres" - Felicidades, irmãos
Edited by Filipe, Aug 25 2011, 02:52 PM.
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Watson
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002
[ *  * ]
Quote:
 
O "Antônio Vieira" é interessante pensarmos em epítetos como "Imperador da Língua Portuguesa" sendo outorgado e se esquecendo o gênio camoniano... Talvez porque Camões não viveu a verdade que morreu D. Sebastião!


Isso reflete a posição de Pessoa sobre Vieira. Para Pessoa, Vieira era o "maior artista de nossa terra, grão-mestre que foi da Ordem Templária de Portugal". Pessoa afirmou que "Antônio Vieira é de fato o maior prosador - direi mais, é o maior artista - da língua portuguesa. E o é porque o foi, e não porque se chamasse Antônio". Ainda segundo este "A ter que escolher entre Chateubriand e Vieira, escolheria Vieira sem necessidade de meditar".

Quote:
 
A evocação do Monstrengo, em Antemanhã, a mim parece ter um sentido claro, pois a circunstância é oposta ao encontro do Monstrengo com El-Rei d. João Segundo. Ali, quando primeiro se encontraram, d. João ao final respondeu, representando Portugal:

Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu!

Na penúltima poesia, Antemanhã, o monstrengo ( já com a inicial minúscula) é o monstrengo servo. Paradoxalmente, é o servo que vai chamar ao seu senhor que dorme:

Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar.

É significativo, pois, que o reaparecimento do monstrengo se dê na penúltima poesia, quando Portugal está encoberto pelo fogo-fátuo. Também o é que as palavras Aquele e Senhor estejam grafadas em maiúscula inicial, como antes estivera o monstrengo.

A situação se inverte, mas na poesia seguinte haverá otimismo, pois o monstrengo (que pode assumir em Antemanhã - não antes - o que o Fernando tentou fazer, que foi invocar em Portugal o seu passado) poderá ( nesta hora!) descerrar a cortina do fogo-fátuo que encobre Portugal.


Observação muito interessante! O que será que significa essa mudança de perspectiva entre Senhor e servo ? Será que é a espera do Poeta pela volta daquele Portugal que nos idos tempos de glória triunfou sobre o mar ?

Bem, vou refletir sobre isso e sobre o restante dos posts... Se após lutar com as palavras conseguir vencer o combate, posto!
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