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| Mensagem; Leitura coletiva do livro Mensagem de Fernando Pessoa | |
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| Tweet Topic Started: Jul 8 2011, 10:26 PM (3,048 Views) | |
| Mavericco | Aug 24 2011, 07:39 PM Post #51 |
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Nel mezzo del cammin
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A última mensagem é a concretização dos mitos, a parte verdadeiramente profética. É a parte onde o nacionalismo da obra alcança seu nível máximo. Conforme Massaud Moisés desenvolve em Fernando pessoa: o espelho e a esfinge, acerca da questão do supra-Camões, a ideia de Massaud era a de que Pessoa queria superar Camões em seu nível patriótico, e não em qualidade ou grandeza -- tanto é que ele [Pessoa] chega inclusive a julgar o Pátria de Guerra Junqueiro como um poema maior que Os Lusíadas (quando provavelmente o Pátria tem um ideal patriótico paralelo com o Mensagem, e daí o julgo de Pessoa -- não sei; nunca li o Pátria, mas pretendo nesse resto de mês ver o que consigo calhar e, quem sabe, encontrar mais paralelos). Começamos com D. Sebastião, que já havia aparecido no livro. Se na primeira aparição Sebastião falava de sua loucura e questionava o que alguém poderia ser sem ser louco, nesta hora nós temos um contato muito próximo com Deus e com os sonhos, o que me lembra o final de D. Fernando ("Cheio de Deus, não temo o que virá, / pois, venha o que vier, nunca será / Maior do que a minha alma."). O próximo poema, Quinto Império, como é comum na literatura (essa coisa do final evocar basicamente o livro todo [ou o leitor passar a evocar esse tipo de coisa]), tem citações acerca do primeiro poema, da Europa posta sob os cotovelos. O convite é tentador: "Quem vai viver a verdade / Que morreu D. Sebastião?" (mas se observarmos a primeira fala do Sebastião... Bem. Fiquemos com a segunda.) O Desejado lembra Nun'Álvares Pereira: "'Sperança consumada, / S. Portugal em ser, / Ergue a luz da tua espada / Para a estrada se ver!" As Ilhas Afortunadas eu só consigo me lembrar das Ilhas dos Amores de Os Lusíadas (além de dar uma ideia de que a ilha só existe em sonhos: "Mas, se vamos despertando / Cala a voz, e há só o mar.") E aí terminamos Os Símbolos. Começa O Bandarra que é lindo, fantástico. Um de meus poemas preferidos do livro inteiro. O "Antônio Vieira" é interessante pensarmos em epítetos como "Imperador da Língua Portuguesa" sendo outorgado e se esquecendo o gênio camoniano... Talvez porque Camões não viveu a verdade que morreu D. Sebastião! O Terceiro eu confesso que fiquei um pouco perplexo, pois, ao mesmo passo que o poeta apresenta grande euforia (o final de Quinto Império), ele parece estar desanimado, cansado e às vezes eu percebi até um tom de desacreditado em sua fala! Ah, quando quererás voltando, Fazer minha esperança amor? Da névoa e da saudade quando? Quando, meu Sonho e meu Senhor? O que me faz lembrar muito a partida no "A Última Nau" mesclado com "A Prece". Depois vem Noite que me lembra ainda mais "A Última Nau", mas, contudo, que possui partes como estas: "É a busca de quem somos, na distância De nós; e, em febre de ânsia, A Deus as mãos alçamos. Mas Deus não dá licença que partamos." Que me fazem cair novamente numa crise existencial... O "Tormenta" me lembra muito o Primeiro Fausto, onde, a quase todo instante, e praticamente o livro todo, você tem a contemplação do Mistério tanto por parte do Fausto quanto por parte de outras personagens, tais quais Lúcifer: "Isto, e o mistério de que a noite é o fausto." O "Calma" não consegui ver muito de excepcional nele, além de suas semelhanças com basicamente a parte "Mar Português" inteira (o que já é excepcional; mas em outro sentido). "Antemanhã" é ligado grandemente com "O Monstrengo", mas eu me questiono o porque de Pessoa ter evocado novamente a figura do Monstrengo neste poema... "Que veio aqui seu senhor chamar- Chamar Aquele que está dormindo E foi outrora Senhor do Mar." Afinal, quem é este Senhor? Eu sou o único que pensa no Encoberto? Que o Encoberto é o Senhor do monstrengo? É tudo um nevoeiro. Eu não sei de nada: "Ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece que alma tem, Nem o que é mal nem o que é bem." "Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro." Mas de uma coisa eu sei: "Ó Portugal, hoje és nevoeiro..." E valerá a pena, pois a alma não pode ser pequena depois de se ter lido Mensagem. Não, não pode. Valete, Frates. |
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| Antonio Maria Pereira | Aug 25 2011, 02:36 AM Post #52 |
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Também eu penso no Encoberto, é dizer, na representação de Portugal no símbolo que é Dom Senastião. A evocação do Monstrengo, em Antemanhã, a mim parece ter um sentido claro, pois a circunstância é oposta ao encontro do Monstrengo com El-Rei d. João Segundo. Ali, quando primeiro se encontraram, d. João ao final respondeu, representando Portugal: Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que é teu! Na penúltima poesia, Antemanhã, o monstrengo ( já com a inicial minúscula) é o monstrengo servo. Paradoxalmente, é o servo que vai chamar ao seu senhor que dorme: Chamar Aquele que está dormindo E foi outrora Senhor do Mar. É significativo, pois, que o reaparecimento do monstrengo se dê na penúltima poesia, quando Portugal está encoberto pelo fogo-fátuo. Também o é que as palavras Aquele e Senhor estejam grafadas em maiúscula inicial, como antes estivera o monstrengo. A situação se inverte, mas na poesia seguinte haverá otimismo, pois o monstrengo (que pode assumir em Antemanhã - não antes - o que o Fernando tentou fazer, que foi invocar em Portugal o seu passado) poderá ( nesta hora!) descerrar a cortina do fogo-fátuo que encobre Portugal. São, contudo, interpretações muito pessoais deste velho. Foi um prazer conviver com vocês, jovens amantes dos livros. Não seria justo com o Fermando queixar-me do reumatismo, pois a mensagem final é de otimismo. Digo, ainda que rouca a voz: "Valete, Fratres!" |
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| Filipe | Aug 25 2011, 02:51 PM Post #53 |
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Ui, acho que venho um pedacinho tarde... O Encoberto Pax in excelsis (Paz nas alturas): - faz a síntese da História (posterior ao desastre de Alcácer-Quibir) - traduz o ocultamento gradual de Portugal - depois da queda, o Sebastianismo, o apelo e a esperança da vinda do Salvador - traduz a visão esotérica de Pessoa - associada à figura do rei D. Sebastião, ao seu destino e consequente mito. - afirma um sebastianismo de certeza profética - Portugal realiza-se no Céu: tempo de santificação e glorificação do mundo - a dinastia que há de vir - Quinto Império - (Deus age pelo braço dos heróis) - 13 poemas, 3 subdivisões (I - Os Símbolos; II - Os Avisos; III - Os Tempos) E termina com: "Valete Fratres" - Felicidades, irmãos Edited by Filipe, Aug 25 2011, 02:52 PM.
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| Watson | Aug 26 2011, 12:39 AM Post #54 |
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Isso reflete a posição de Pessoa sobre Vieira. Para Pessoa, Vieira era o "maior artista de nossa terra, grão-mestre que foi da Ordem Templária de Portugal". Pessoa afirmou que "Antônio Vieira é de fato o maior prosador - direi mais, é o maior artista - da língua portuguesa. E o é porque o foi, e não porque se chamasse Antônio". Ainda segundo este "A ter que escolher entre Chateubriand e Vieira, escolheria Vieira sem necessidade de meditar".
Observação muito interessante! O que será que significa essa mudança de perspectiva entre Senhor e servo ? Será que é a espera do Poeta pela volta daquele Portugal que nos idos tempos de glória triunfou sobre o mar ? Bem, vou refletir sobre isso e sobre o restante dos posts... Se após lutar com as palavras conseguir vencer o combate, posto! |
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