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| Camões | |
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| Tweet Topic Started: Jul 24 2011, 01:25 PM (935 Views) | |
| Watson | Jul 24 2011, 01:25 PM Post #1 |
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Para não desviar o foco do Mensagem, fica criado aqui um tópico para quem quiser discutir algo relacionado à obra do grande autor Português! |
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| Mavericco | Jul 24 2011, 05:10 PM Post #2 |
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Nel mezzo del cammin
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Além de Os Lusíadas que é uma das obras mais belas que já foram escritas, de vigor épico só comparado ao dos grandes mestres, Camões era um sonetista exemplar. Ao lado de Shakespeare e Petrarca eu o considero dos maiores que já existirão. Além do Soneto "Amor é um fogo (...)", famoso na voz de Renato Russo, eu gosto muito do:
Principalmente o final dele, que é lindo! |
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| Watson | Jul 29 2011, 02:45 PM Post #3 |
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Não conheço os sonetos do Camões, mas parece que o Fernando Pessoa não gostava muito deles pelo que consta da biografia do Cavalcanti... Também não era muito fã do Petrarca... Paradoxo ou não, uma de suas obras (do Pessoa) foi reunida sobre o título Cancioneiro e a maior influência que parece ter sofrido em Mensagem foi Camões... |
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| Mavericco | Jul 29 2011, 07:38 PM Post #4 |
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Nel mezzo del cammin
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Sim... O Pessoa pretendia em seu Cancioneiro reunir seus poemas que não seriam por si só reuníveis; achava que Cancioneiro era um título que não expressava muita coisa. Particularmente, adoro o nome "Cancioneiro"... A edição que eu li foi uma versão reduzida com apenas 50 sonetos. Comprei uma mais completa com os sonetos completos e as Redondilhas (que o Pessoa inclusive praticou -- esta coisa de Mote / Volta). E é interessante você citar Petrarca. A influência de Petrarca na literatura europeia foi imensamente maior que a de Dante ou a de Boccaccio; Camões chega inclusive a citar Petrarca em Os Lusíadas! (ainda que muitos afirmem ser uma citação errônea). Existem alguns sonetos que o Camões cita o Petrarca também. Particularmente sou da opinião que Camões não conhecia italiano mas que conhecia Petrarca apenas de nome ou aos pedaços, como um poeta que não sabe inglês mas conhece o "To be or not to be" do Shakespeare. Não consigo ver muita consistência naquele que falam o gênio camoniano, inclusive, chegou a traduzir os Triunfos de Petrarca... O argumento do Otoniel Motta, por exemplo, se limita ao "ninguém com tanta erudição conseguiria traduzir esta passagem desta forma [...]" Edited by Mavericco, Jul 29 2011, 07:40 PM.
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| Watson | Jul 31 2011, 03:24 PM Post #5 |
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A influência de Petrarca pode até ter sido maior na época, vez que ele escreveu na língua universal do seu tempo (Latim), sendo o Canzoniere no seu próprio dizer um Rerum vulgarium fragmenta, que com o passar do tempo e a morte do latim se tornou sua opus magnum. Particularmente, não posso avaliar a fundo o Canzoniere pois o li já faz um bom tempo e em uma tradução (se não me engano em inglês ou espanhol). De qualquer forma, acho que no momento atual a influência de Petrarca e Laura é bem menor que aquela exercida por Dante e Beatriz ou pelos jovens que fugiram da peste narrada por Boccaccio. [quote-Mavericco] Particularmente sou da opinião que Camões não conhecia italiano mas que conhecia Petrarca apenas de nome ou aos pedaços, como um poeta que não sabe inglês mas conhece o "To be or not to be" do Shakespeare. Não consigo ver muita consistência naquele que falam o gênio camoniano, inclusive, chegou a traduzir os Triunfos de Petrarca... O argumento do Otoniel Motta, por exemplo, se limita ao "ninguém com tanta erudição conseguiria traduzir esta passagem desta forma [...]"[/quote] Não conhecia esse argumento do Otoniel, mas quanto à extrema erudição de Camões concordo, vez que esta, além de reconhecida pelo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão na sua tese sobre "A astronomia em Camões" ao afirmar que a ciência de os Lusíadas estava de pleno acordo com o paradigma científico da época, resta corroborada por um dos maiores gênios do seu tempo que o qualifica como sublime (na tradução para o Português da LP e M) ou most excellent (termo da tradução em inglês do projeto gutemberg). Depois confiro o original para ver qual é o termo realmente utilizado. Aliás, no mesmo capítulo LVIII do segundo livro, o ingienioso hidalgo pronuncia uma frase que, além da beleza, se adequa bem à personalidade e à vida do autor dos Lusíadas:
Aliás, acho que também Cervantes merece um tópico aqui. Criá-lo-ei! |
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| Mavericco | Jul 31 2011, 04:23 PM Post #6 |
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Agora que você mencionou o Latim do Petrarca, lembro-me que sua fama começou com o poema épico Afrika, inclusive inacabado. Será que o Camões leu o Afrika? Como nunca li o Afrika, sequer passei perto, acho que ficarei devendo estes paralelos entre as obras... Mas acho que é uma questão até interessante de ser levantada, visto que o Afrika, ao contrário dos grandes épicos romanos (Eneida, Farsália, Tebaida -- este último eu também não me recordo se teve influência em Camões; creio que não, visto a Tebaida ter um fundo alegórico que acabou influenciando mais Dante do que o épico "estritamente virgiliano" de Camões), foi escrito um bom tempo depois da dissolução da Roma Ocidental... (Se bem que, em relação a meu parêntesis acerca da Tebaida como obra alegórica [isto é, segundo li a respeito dela], não creio que um influência desta obra em Camões seja de todo falso. Afinal de contas, se conseguirmos puxar novamente a esteira de Petrarca para com a obra camoniana e a suposta tradução dos "Triunfos" por Camões, oras: os Triunfos de Petrarca são uma obra reconhecidamente alegórica... Mesmo porque o Velho de Restelo, um dos episódios mais famosos e mais impressionantes de todo o épico camoniano, acaba caindo também no campo da alegoria!) A astronomia camoniana eu não duvido que seja sublime. Só consigo traçar um paralelo fidedigno dela com a astronomia de Dante na Divina Comédia, apesar da astronomia de Dante fugir do molde épico e entrar mais numa questão de verossimilhança com a realidade... Não me recordo se o Otoniel Mota ou se o Francisco Bueno (cuja edição comentada eu considero uma das melhores, com um material extremamente elucidativo e de excelente qualidade) que ressalta a questão de como Camões conseguiu adquirir tantos conhecimentos se ele possuia uma vida tão atribulada (guerras, viagens, etc) e um tanto quanto boêmia. Interessante esta frase do Cervantes! Edited by Mavericco, Jul 31 2011, 04:25 PM.
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| Watson | Jul 31 2011, 04:56 PM Post #7 |
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Já faz um tempo que tenho vontade de ler o Afrika, mas para isso tenho que encontrar uma versão que não seja no original em latim, pois esta é uma língua que não domino....
Vou reler o episódio e refletir sobre isso. De qualquer forma, será que o episódio da Ilha dos amores também não tem um caráter alegórico ?
O Ronaldo Rogério inclusive cita Dante no livro sobre a astronomia em Camões. Afinal, a descrição do cosmos medieval (baseada em Aristóteles) é muito utilizada em Dante (na descrição dos céus). Ele fala inclusive sobre uma tese a respeito do Dante que não me recordo qual é, vou reler o trecho do livro e depois lhe falo.
Segundo o Ronaldo Rogério grande parte das informações de astronomia são tiradas da enciclopédia da época, a Margarita Philosophica http://books.google.com/books/reader?id=JYEPAAAAQAAJ&hl=pt-BR&printsec=frontcover&output=reader . |
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| Watson | Aug 7 2011, 04:13 PM Post #8 |
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Por falar em Camões, descobri recentemente que o poeta foi objete de um poema narrativo de Almeida Garrett escrito em 1985 cujo título é "Camões", no qual o Poeta inclusive lê a Epopéia a Dom Sebastião (canto VII e VIII). Não sei se ele narra também o episódio em que o Poeta salvou os manuscritos de os Lusíadas do naufrágio. De qualquer forma, caso não o tenha feito, esse salvamento não passou ileso na literatura, pois diz a lenda que um dos livros portugueses salvos por Robinson Crusoé na obra de Defoe era o poema de Camões. |
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| Mavericco | Aug 8 2011, 10:54 PM Post #9 |
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Muito provavelmente sim... ^o) Não me lembro exatamente de como era o episódio; lembro-me apenas dos portugueses caçando ninfas e de um banquete após isto. Acho que Camões foi um dos primeiros a ter a genial ideia do final feliz em um texto épico; no épico virgiliano, o banquete é realizo no Canto V, se não me engano, como os jogos fúnebres do Anquises. Se no épico virgiliano e no homérico (no caso de Homero, os banquetes principalmente da Odisseia) esse tipo de festividade era movido a jogos esportivos... Talvez o espírito lírico de Camões tenha sido mais forte ao erigir jogos amorosos nestas festividades. (isto é... Não me lembro de nenhum tipo de festividade esportiva em Os Lusíadas. Posso estar enganado...)
Interessante... Não fazia a mínima ideia de como esse tipo de coisa era consultada! Achava que a única fonte era o Manílio e seu "Astronomia"...
Reza a lenda que Camões salvou os manuscritos e deixou sua amante morrer afogada (a tal da Dinamene)... Muito interessante essa do Garrett. Realmente, muito interessante! |
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| Watson | Aug 24 2011, 02:53 AM Post #10 |
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Eu até tenho a obra do Manílio (Astrologia), correspondente ao número 119 da Biblioteca Básica Gredos, livro escrito numa época em que ainda não havia distinção entre astronomia e e astrologia. No campo da astronomia científica, no entanto, acho que a grande obra de astronomia da época era o Almagesto de Ptolomeu (baseado em grande parte em Hiparco) que se não me engano chegou à Europa por via das traduções árabes. Vale lembrar que na época de Camões, Copérnico já tinha lançado seu sistema De revolutionibus repropondo a então esquecida teoria de Aristarco de Samos, mas este sistema ainda não se encontrava sedimentado (talvez graças ao polêmico prefácio de Osiander).
Por falar nos amores de Camões, li recentemente que há um soneto deste de nome "Vencido está de amor meu pensamento" que possui uma modalidade rara de acróstico duplo. Vc conhece ? |
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